segunda-feira, 2 de abril de 2012

übermensch nietzscheano - o além do homem de Nietzsche

Como já dissemos, Foucault bebeu da fonte de Nietzsche. Compreenda o modo como este último filósofo pensava o homem. Vale a pena ouvir esta palestra com o Dr. Oswald Giacoia, especialista em Friederich Nietzsche!
O pesquisador explica com maestria o conceito de übermensch (o além do homem) de Nietzsche. Veja uma parte da transcrição que fizemos!

"Não há nenhuma relação entre o super homem da indústria cultural americana e o além do  homem de Nietzsche. São figuras absolutamente antitéticas. Por que o super homem significa uma espécie de potencialização ao infinito, ao inimaginável, precisamente daquelas características, das possibilidades do homem. Seria um homem elevado a enésima potência.
Enquanto o que Nietzsche quer é justamente uma superação desse homem tal como nós o conhecemos até aqui. O além do homem não significa para Nietzsche um homem fortalecido, potencializado, reforçado nas suas virtualidades e nos seus talentos. Ele significa alguma coisa de além do homem. Além daquilo que nós conhecemos como o homem tal como ele foi produzido na história do ocidente.
Ora, se você se pergunta pelas características que desde sempre foram constitutivas desse homem que se pretende superar no além do homem, que eu creio que é a melhor tradução para o Übermensch nietzscheano, é precisamente a possibilidade de encarar a existência e a vida sem as próteses e sem os consolos de que o homem careceu até aqui para suportar a existência. A história de nossa cultura, diz Nietzsche, é a história da invenção desses consolos. É a história da invenção das perspectivas de sentido que permitem com que nós continuemos a viver, e particularmente, aquilo que é constitutivo do homem tal como nós o conhecemos na  história de nossa cultura, e em especialmente através da religião e através da moral, é uma denegação de duas experiências fundamentais:  a experiência do tempo e da finitude e a experiência da morte.  Para que nós possamos sobreviver, diz o Nietzsche, nós inventamos outras tantas modalidades de denegar a experiência do fluxo do tempo, por conseguinte, a vivência de nossa finitude e a vivência da morte. Por isso nós inventamos além ultra mundos, perspectivas de vida eterna, sentidos absolutos para a existência, finais escatológicos dos tempos, etc etc etc."



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